quinta-feira, 28 de julho de 2011

Viagens

Estou dentro de um ônibus super lotado de ser humanos. Vamos percorrendo estradas de um sertão e a musica do moto é continua não oscila para outros tons. Vamos seguindo nossos destinos cada um de nós a seu destino, mas no momento vamos todos juntos, nessa cabine fechada. Nesse cubículo fechado de todos os lados com dois pneus na frente e mais quatro atrás vamos percorrendo caminhos indiferentes ao meu conhecimento de outrora, e estou aqui. O motorista esta a manejar a maquina na qual também o próprio esta a viajar conosco, carregando carnes que um dia apodrecerão sob o sol ou dentro do solo e voltarão a terra novamente. Se esse for o único trabalho desse senhor motorista, nas estradas estará todos os dias, se for seu maior prazer nos locomover junto ao ônibus tudo bem, caso contrario não sinto que ele viva, mas exista realizando um mesmo oficio sendo a mesma missão pra sempre.
Acho interessante viajar, conhecer pessoas diferentes, caso não viajasse nem eu os conhecia, nem eles me conheciam. Às vezes alguém arrisca uma conversa comigo sem ao menos ter conhecimento de mim, eu peço licença a alguém sem mesmo conhecer e assim vamos percorrendo os mesmos caminhos cada um com seu destino indiferente.
Alguns temem um futuro acidente e viajam a olhar o movimento do transito atentamente. Outros achando tedioso o calor insuportável, o barulho constante do motor arrisca querer dormir para que o momento se faça inconsciente. Alguns dos que vão junto a esse ônibus estão emigrando pra outras cidades em busca de saúde, estão indo de encontro a hospitais, já que os da cidade natal não funcionam como muitos do Brasil corretamente. Mas porque os hospitais não funcionam corretamente? Não pagamos todos os nossos impostos em dias? Porque esse dinheiro não retorna ao bem público? Questionei a mim. Você se questiona ou prefere ter a paciência e esperar nas filas dos hospitais ou morrer nas filas dos hospitais?
É certo que estamos de passeio nesse planeta, nascemos ontem poderemos morrer hoje. Mas, morrerei por negligencia de uma parte de políticos que comandam nosso país e que se utilizam dos nossos bens públicos, nosso dinheiro por assim dizer e não aplicam no nosso país? De qualquer maneira não permaneceremos muito tempo por aqui, somos mais uns a habitar esse planeta, depois virá meus filhos, depois os filhos dos meus filhos, depois os filhos dos filhos dos meus filhos assim a vida segue.
Nas poltronas confortáveis e na poeira constante dessa estrada de terra, pessoas com as mais diferentes mazelas vão a escarrar um liquido amarelo cravado nos vossos peitos ou nas vossas cabeças, isso me causa nojo, não que eu também não tenha, mas preferimos nossas próprias nojeiras que dos outros. Dentro do mesmo cubículo vão diferente tipos de pessoas, gordas, magras, brancas, pretas, amarelas, jovens, idosos, adolescentes, meia idade. Isso é o Brasil.
Eu em contraparte vou escutando as conversas mais diversas não que não queira ouvir mas porque tenho que ouvir por continuar junto ao mesmo ambiente. Gostaria de fugir de tudo isso, chegar ao meu destino formulado na minha mente comprar meu violão para poder andar e cantar nesse planeta, mas para isso é necessário esperar o tempo passar o ônibus percorrer.
Aqui vou eu... Seguindo... Seguindo...

Ass: Ademir da silva ribeiro.

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